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Toque Dela

Das coisas (algumas) contraditórias que fazem parte da minha vida. Ou sem contradição alguma aqui.

Posso começar com um “nunca me senti tão sozinha como agora”. Assim, bem rasgado. Com a iluminação fraca, um cinzeiro cheio, olheiras imensas, cerveja quente na minha frente e um pianista alcoólatra tocando notas soltas como se fizesse algum sentido. Já fiquei muito tempo, só a solidão e eu. Era uma prosa boa, rendia muitos rascunhos. Mas hoje já incomoda, feito parente que ninguém gosta de ver. Feito fatura do cartão quando chega.

Antes eu estava em tudo. Nos discos, nos livros, nos filmes, nos meus poetas favoritos, nas cervejas de domingo. Hoje eu vejo e sinto você em tudo. Na minha pele, nas minhas roupas, no meu cabelo, nos nossos livros, nos nossos discos, nos nossos filmes.


(Então você liga. Está no meio do show do Caetano e diz que ele está cantando nossa música. E canta junto, e cantamos juntas e essa ligação toda que existe entre a gente tá longe de ter explicação)

E a gente até tenta achar alguma explicação pra todo esse tempo bom que de repente e não mais que repente vem se repetindo desde Abril. E há e não há. Acho graça das várias teorias que surgem enquanto o sol teima em entrar pelas brechas da porta do teu quarto. "(...)  já não tenho medo do mundo. (...) Mas você sorrir desse jeito e eu que já perdi a hora e o lugar, aceito". É isso. É bem simples. 

É como te disse, há coisas que tenho medo de dizer, de escrever. É um velho medo de perder. Só que tu me envolves de modo que posso derramar essas palavras no teu ouvido, no teu ombro, no teu peito e lá você cuida bem delas. E de mim também. E de nós também. 

Como diz uma velha amiga minha: "Agora eu sou feliz sendo plural".


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