Pipoca

Fiquei pensando se deveria escrever sobre ti aqui. Mas depois vi que não havia impedimento algum.

Você lembra quando nos falamos pela primeira vez? Quando aquela amiga nos apresentou. Lembra? Eu vi na cara que você era louco por ela. Mas quem não era? Você era bem estranho. Na verdade, ainda continua. E seu sorriso cafajeste. Dele nunca me esqueço. É uma das coisas que gosto em ti.

Provavelmente as conversas mais estranhas que já tive foi com você. Provavelmente você foi a pessoa que mais fez perguntas incomuns a mim. Eu sentia que tu tinhas uma sede de querer me conhecer cada vez mais. O problema era que eu nunca respondia como devia. Inventava qualquer desculpa pra não estender a conversa contigo. Mas você sempre vinha até mim. E no fundo, eu gostava disso. No fundo eu gostava de saber que tu sempre iria vir até mim com as perguntas mais absurdas do mundo.

Vendo hoje, sinto por não ter aproveitado aqueles minutos contigo. Pelas partidas de WAR adiadas. Sim, adiadas. Espero em breve poder travá-las contigo, mesmo tendo que abdicar da Europa. Mas não se esqueça que eu vou cobrar um preço muito caro por isso. Você sabe o quanto eu gosto da Europa. E de café. Como eu e você adoramos café.

Choconhaque. Lembra? Outra promessa. Vamos ver se será tão bom quanto dividir café contigo. Não sei, sinto que não vai resultar em algo correto. Mas a curiosidade nos move, não é?

Sabe quando você está voltando pra casa e para no meio do caminho? Não por não querer voltar pra casa, mas por ter que por os pensamentos em ordem. E o meio do caminho é sempre o melhor lugar. Fiz isso hoje à noite, quando voltava da universidade comendo pipoca. Sim, pipoca. Aquela que sobrou da festinha de despedida do seu chefe. Pois é, ela estava meio passada, mas a fome é o melhor tempero pra qualquer comida, concorda?

Parar no meio do caminho me fez lembrar daquilo que aconteceu com a gente naquela tarde. Foi uma tarde única, boa, gostosa, tranquila, divertida... Sinto saudades dela. Será que aquilo nos aproximou mais? Ou será que só serviu pra mostrar que tu sempre esteve ali esperando eu perceber tua presença?

Ou talvez seja como falei: “É apenas uma brincadeira”. Você sabe, eu entrei no jogo, eu dei as regras do jogo, mas tenho medo. Tenho medo de me perder. Ou pior, escrever isto é para mim um atestado de que perdi. Deixei-me levar. Será isso? Responde-me. Mas eu sei que tu não vai me responder. Eu sei que tu vai vir com outra pergunta e aí vou acabar esquecendo do assunto.

Mas eu vou provar isso algum dia. Ando a procura de provas pra isso, sabe? A primeira que achei foi que não me chateio quando me chamas de “querida”. Eu gosto. Parece combinar contigo. Mas quando qualquer outra pessoa me chama por “querida”, eu logo penso que é algo falso. Mas quando vem de ti eu sorrio. Deixo passar e peço bis.

A segunda prova, bom, eu não sei ao certo. Talvez estar falando de ti, talvez lembrar sempre de ti ao beber café, ou comer pipoca, ou ao escutar Blind Pilot. Não, depois daquele dia eu nunca mais escutei Coldplay. Talvez por querer escutar apenas contigo. Não sei. É, eu não sei, ou talvez só não queira dizer.

Eu só vou escrevendo e de teimosa, te aviso logo: Isso não é uma carta de amor.

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3 Responses to Pipoca

  1. Senna says:

    Isso é só uma carta de amor escrita com borra de café...

  2. Nathy. says:

    O que vem de ti faz todo o sentido em mim. Tudo.

    Linda você, amiga.

  3. Flu says:

    É uma carta de amor.