De Frente em Verso

Minha vida é uma bagunça, tu sabes. Toda minha vida anda tão bagunçada que nem me preocupo em dizer se é a parte amorosa, acadêmica ou profissional que anda na mais pura algazarra, fazendo batucada na Avenida Rio Branco do meu coração.
E como se não bastasse, te coloquei no meio. E foi totalmente proposital. Talvez por culpa do sol ao norte equatorial, sequencial ou qualquer coisa pra usar como desculpa em não falar o quanto és especial. Provavelmente porque eu gosto de toda essa bagunça. Provavelmente porque tudo em ti me desperta uma curiosidade sem medidas que todos os dias tenho que domar. Orgulho maldito, serve como freio aos meus mais profundos desejos.
Fico imaginando muitos anos a frente de nosso tempo, no dia em que - quem sabe - escrevam uma biografia sobre minha vida. E o trecho mais importante para mim seria sobre esse bando de amores que ando tendo e nenhum me tem.
E que entre todos esses amores você consegue ser o único que machuca mais, o que detêm a maior parte da atenção e inspiração. Que provavelmente ganhará uma dedicatória em algum livro, que é a Madonna de meus sonhos e poemas. Das músicas e quadros modernistas. Dos poemas de bar onde não consigo evitar de te citar como a Menina Travessa que sempre finge me esquecer... Ou deveras esquece-me mesmo. Sou mero brinquedo.
Diz-me por que abusas tanto do teu orgulho, Camena?
Ou de mim, ao menos.
Não sou poupada e muito menos arranjo pousada na tua vida. É um teste pra ver o quanto aguento? É um castigo por ter voltado a casa de meus pais sem desperdir-me de ti?
A verdade, talvez seja, que eu entrei nesse barco sozinha e o sol nunca deixa de ser meio-dia, fazendo com que meu único refúgio seja imaginar qualquer coisa na falha tentativa de manter-me sã.

This entry was posted in . Bookmark the permalink.

7 Responses to De Frente em Verso

  1. Elimacuxi says:

    Ei Agda, diz aí, uma horinha do meu lado e tu andou sondando meus pensamentos, foi? Eu ando assim, olhe, afogada nessa angústia de abrigar Camenas e me sentir absolutamente desabrigada...

    Ah, corrige ali que te escapou, sequencial não tem acento.
    Beijo grande!

  2. Daniel Lira says:

    Amores, ah esses tais. Complexos e completos, lindos e macabros, consumidores e consumidos. Quem os entende afinal, sim OS entende, amores são vários, são muitos, são essência. Orgulho? Pior amigo do amor, livra-te dele enquanto há tempo, pois nem sempre Camena esperará por ti. Vá, sê feliz e me conte tudo quando o escarcéu passar.

  3. Ágda says:

    Acho que poeta é um bom observador. Mas no meu caso, uma horinha do teu lado só guardei alegria.
    Mas poeta também compartilha muita coisa sem saber.
    E essas Camenas da vida são uma delas.

    E ja corrigi o erro! Gracias!


    Daniel, "se tu soubesse, como machuca, não amaria mais ninguém".
    Se fosse fácil, a Camena ficaria cantando rap em SP e eu não me importaria. rs

  4. Sacha Mona says:

    É, acho que a sau amiga aqui deixou de ser lerda, e conseguiu reconhcer coisas ai... eu também ando assim, sei como é. Mas ao contrário de você que tem um talento natural pra fazer tais versos, eu só tenho capacidade para desabafos.

    Sinto sua falta.

  5. Juliana says:

    Ai. esses amores


    "Estas alegrias violentas, têm fins violentos
    Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora
    Que num beijo se consomem"

  6. Nathy. says:

    É, cara amiga minha, e não são esses amores que nós não temos os que mais nos arrebatam?

    Penso seriamente se eu não deveria trocar o ponto de interrogação por um de afirmação, rs.

    Sina. Mas não só sua, nossa.

    <3

  7. Viver de amores que não se tem, parece o combustível mais eficaz da nossa inspiração. São amores no café da manhã, no almoço e no jantar. Parece até que existe um Eu interior que só desperta com a dor do amor não correspondido, a dor dos caminhos não entrelaçados.

    Amei.