Eu tenho um medo imenso em soltar qualquer frase que signifique algo eterno ou pelo menos até o fim de minha vida. Tenho medo até de simplesmente reconhecer que gosto de alguém, de pronunciar isso a ela, de criar uma esperança. O medo talvez caiba somente em destruir tudo isso depois. Tenho medo de gostar por saber que vou perder. Passo a gostar como se ja tivesse perdido. E talvez isso explique toda a intensidade dos últimos anos.
Essa talvez seja a verdade. Eu tenho medo de destruir aquilo que declarei outrora. O amor a alguem, o gosto por certa música, certo livro e certas pessoas. Então, talvez por esse medo, fico calada (às vezes nem sempre). E é tão complicado viver assim.
E tentando ver como qualquer pessoa de fora, eu diria que não me permito mudar.
Mas eu mudo. Pro lado bom ou ruim. Para os dois lados. E a cada mudança algo fica pra trás. E tantas coisas ja ficaram para trás na minha vida. Eu ja fiquei para trás em tantas vidas também.
E em algum cruzamento de memória, nos encontramos como em uma Polaroid de 1970. Em sépia, preto e branco ou amarelados. Aquela legenda engraçada no verso lembrando que foi bom e aqui entra o "enquanto durou". Os velhos sorrisos amarelos, os cumprimentos desajeitados, as perguntas básicas e a pressa em se livrar logo de todo o constrangimento que nós mesmos criamos.
Eu realmente desejaria que tudo naquele verão tivesse acontecido diferente. Que eu tivesse ao menos sido sincera e que você tivesse sido compreensiva. Mas eu destruí as frases que foram ditas em 2008 e repetidas tantas vezes. Confesso que tentei jogar alguma culpa em você, sentir raiva, esquecer e seguir adiante. Mas as nossas polaroids de 1970 foram muitas. É bem difícil disfarçar. Não senti raiva, ódio ou qualquer coisa ruim. Muito menos esqueci. Fiquei triste por ver que havia perdido e sem coragem alguma para ao menos tentar recuperar.
Ainda não aprendi a pedir desculpas. Talvez eu só aprenda quando passar a me perdoar primeiro. E se um dia eu aprender, eu te pediria desculpas por aquele verão. Acredito que depois disso passaria a ver já com certa saudade e não com certo incômodo a nossa polaroid na Casa das Flores (ou seria Casa das Rosas?), onde estamos sorrindo para a câmera, o vento bagunçando nossos cabelos, as rosas atrás de nós e a legenda atrás dizendo: "Por você, eu faria isso mil vezes."
- Ágda
- Se descrever, definir ou qualquer coisa assim é matar uma esfinge em Tebas. Mas válido é o que tu vê, escuta, sente e entende por aqui.
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Obrigada por me traduzir de vez em quando...
A gente nunca tem culpa pelas expectativas dos outros...
Ótimo! Tão intenso e tão verdadeiro, eu me achei em incontáveis frases. Queria ter escrito um monte de coisas bonitas e um pouco tristes assim. Um beijo!
Tão incomum quanto o nome que assina a postagem.