Archive for Dezembro 2012

Braindead

Após a repressão quase sutil, eu exalava ódio. Dobrar o mestre seria algo muito mais complicado do que pensava. O ventilador rodava e não amenizava nem um pouco o calor.
O mestre tão gordo, arquejava durante a explicação sobre a variedade linguística. Outros ruídos tomavam conta da sala. Eram suspiros, bocejos, folhas sendo reviradas e somando-se tudo tínhamos impaciência. A plena vontade de estar em qualquer lugar que não fosse aquela sala.
Confinados por obrigação.
Voltei os olhos para o mestre, suas peles caíam, haviam bolhas de pus em seus músculos e ainda assim o desgraçado não parava de falar.
A turma parecia gostar. Salivavam feito cães a carne pútrida do mestre. Avançavam sobre ele feito urubus e aos poucos os ossos do mestre iam aparecendo. Com os lábios cheios de pus e pedacinhos de carne, alguns alunos repetiam tudo o que o mestre falara nas últimas horas.
E sua caveira ria da incapacidade da turma em produzir conhecimento. Pra mim era urubus, mas o mestre os chamava carinhosamente de corvos.
Com certeza seria a ave mais adequada para mascote do curso de Letras.
E não querendo ser hipócrita, pois eu nem poupava sequer os ossos do mestre. Lambia o crânio, sugava todo o sangue e pus que escorria por ele. Usava um lápis para arrancar-lhe os miolos e os vermes que já estavam por lá. Apareciam a cada piscada minha.
- Queiroz! Queiroz! Já falei para parar de fumar e vir assistir aula!
A sala estava vazia, o ventilador ainda rangia e eu era acordado novamente pelo vigia noturno.

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A Sagração do Cu (poema-resposta de Francisco Alves)

Minha língua suja prefere teu corpo púrpura
e na brincadeira do ser, do riso, das pernas e das bocas
escreveu versos póstumos em tua loucura.
Quer Ágda-luz, meus arroubos, minhas mãos toscas?

Estive aí e esperei tua procura
Como cão insano que morde rindo
Jovens DOM zelas do próprio cu. Eram loiras?
Não. Apenas poesia-breu-poema-breu- vinho- sorrindo


Eu fui amante e amado e traído ao acaso
Por uma boca dos anos vinte!
delirando bananeiras aos beijos de Cacaso.

E no fim fui dissolvido por ondas de vozes
meio vintage, meio caos, no meio vinho tinto
eu quis comer todas aquelas maquiadas nozes...

Acho que não preciso dizer que esse é pra Ágda Santos.
 
Francisco Alves escreveu esse poema em resposta ao Só, Somente só

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Só, somente só


Chico não gosta de escrever cartas
mas seus poemas só nascem no papel.
Dizia para eu amar e não ligar pra mais nada
A vida era feito a Torre de Babel.

Eu ria sem graça
Não entendia bulhufas
do que ele ralhava
por aquelas madrugadas.

O afago de irmão por ali estava
Mas "sem roupa é que a coisa esquenta"
Só, somente só.

Chico não gosta vinho doce
Deve-me um beijo triplo
E uma longa prosa sobre orgias.



Acho que não preciso dizer que esse é pro Francisco Alves.

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